Manifestação do Programa de Pós-Graduação da EPE-Unifesp

 Nós, professores e servidores do Programa de Pós-graduação em Enfermagem da Escola Paulista de Enfermagem-Unifesp, presentes na reunião da Comissão de Ensino de Pós-graduação de 09/06/2020, vimos considerar que:

 - a Organização Mundial da Saúde caracterizou a COVID-19 chamada2019-nCoV, como uma pandemia em 11 de março de 2020;

- a velocidade da transmissão da doença deve ser reduzida para que os serviços de saúde disponíveis nos países consigam ser capazes de atender as pessoas com sintomas graves;

- o mundo confirmou 7.690.708 casos de COVID-19 (142.672 novos em relação ao dia anterior) e 427.630 mortes até 13 de junho de 2020;

- o Brasil tem 867.882 casos confirmados, com 43.389 óbitos e 5% do coeficiente de letalidade (OPAS, Brasil, Secretarias Estaduais de Saúde, 2020). Cabendo reforçar que os casos considerados como diagnosticados pelo Ministérioda Saúde e secretarias estaduais, são apenas aqueles que testaram positivo, o que tem sido um problema em função da ausência de testes diagnósticos confirmatórios.

 

Observa-se desde então, o impacto da doença para saúde pública, pela magnitude, vulnerabilidade e transcendência da mesma. Dessa feita fatos notórios têm sido noticiados diariamente e que merecem destaque e apoio pelo efeito que a pandemia está causando, tais como:


- o impacto para o processo de trabalho e assistência de enfermagem; a valorização dos profissionais, especialmente da enfermagem e o reconhecimento do papel destes profissionais na atenção à saúde, transparecendo a invisibilidade das categorias de enfermagem e suas precárias condições de trabalho;

- a importância e a valorização de um Sistema Universal de Cuidado à Saúde, o SUS, que garante acesso à saúde na perspectiva de direito. Literalmente;

- a dimensão da saúde integral mostrando as contradições e determinantes do adoecimento com aspectos sociais e econômicos, ou seja,mostrou as desigualdades da sociedade brasileira;

- a necessidade da adoção de medidas preventivas e de proteção quesão orientadas em uma linguagem que atinge principalmente as classes média e alta. Que, o isolamento é praticamente impossível em certos contextos entre os mais vulneráveis como: instituições de longa permanência, moradores de ocupação, albergues ou centros deacolhida, pessoas em situação de rua, comunidades, privados de liberdade, indígenas e quilombolas. Os diferenciais de oferta de saneamento básico para população;

- desde o início da crise mais de 120 profissionais da enfermagem perderam suas vidas pelo exercício da profissão, cerca de 73 desses, só no nosso país. Identificando as precárias condições e jornadas excessivas de trabalho, sinalizando um possível cenário de colapso na saúde como aponta a presidente licenciada do Coren-SP, Renata Pietro:

“.....vivemos em um cenário de pandemia, decretada pela Organização Mundial da Saúde. E, desde então, os brasileiros sentem clima de extrema insegurança: medo de contaminação, de perder um amigo, um ente querido, ou então o seu ganha pão. Muitos já perderam alguns desses bens tão valiosos em suas vidas, outros com a perda total e eu lamento profundamente. Como enfermeira, posso lhe afirmar que nós, os profissionais de saúde, vivemos um dilema ainda maior. Além de acumularmos todas as angústias do cidadão comum, estamos mais expostos ao risco de contaminação e lidando com adversidades como falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), sobrecarga detrabalho com jornadas exaustivas e ainda presenciamos colegas sendo agredidos fisicamente e psicologicamente durante o traslado até suas casas. Somado a essas questões ainda temos os que pertencem aos grupos de risco e continuam atuando na linha de frente porque não foram liberados para a quarentena. Somos a maior força de trabalho na saúde, trabalhamos 80 horas por semana e isso não é considerado ilegal. Se morrermos em serviço, ao contrário dos militares, não existe qualquer benefício para os nossos filhos ou familiares, mesmo que tenham pouca idade. Não contamos também com o adicional de moradia, pago a políticos e militares e por isso nos deslocamos e somos agredidos nas ruas.”


- na atenção básica milhões de consultas foram canceladas e a ausência de controle das doenças crônicas como, hipertensão arterial, diabetes mellitus e saúde mental, associadas as mudanças nos hábitos de vida, consequência do isolamento social, resultando em traumas para saúde mental e a sensação constante de forte ameaça à vida, são fatores preocupantes;
- a exaustão dos profissionais, a falta de EPI e a capacitação técnica com educação permanente;

- a falta de leitos hospitalares, unidades de terapias intensivas capacitadas e ventilador pulmonar mecânico;

- o aumento do número de mortes e ausência de um sistema efetivo para o sepultamento;

- as dinâmicas familiares alteradas, escolas paradas e complicações para a manutenção do trabalho entre os profissionais autônomos com demissões, e aumento do desemprego, ou seja, aumento do empobrecimento populacional.

Sob essa ótica surgem desafios para as pesquisas e a pós-graduação de enfermagem com a necessidade da busca de evidências, para a prevenção, imunização, controle, diagnóstico de enfermagem, tratamento e limitação de danos, por meio de comandos unificados de gestão e processo de trabalho, segurança e ética na prestação da assistência de enfermagem, hierarquização de ações, inspirando e mobilizando os pesquisadores da enfermagem convertendo a humanidade à solidariedade para o enfrentamento de tão avassaladoras adversidades.

Dessa forma, nos solidarizamos com os nossos colegas de profissão apresentando nosso apoio e parceria.

....e se puder ... fique em casa!

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